Quatrobarrense lança livro sobre o surgimento da indústria brasileira

Depois de 10 anos de pesquisas (não com dedicação exclusiva), o professor de Economia José da Silveira Filho, o Caju, está lançando o seu terceiro livro, que se chama ‘As Metamorfoses do Café: o surgimento da indústria brasileira (1860 – 1930)’. Impresso na gráfica da Universidade Federal do Paraná, a obra é fruto de muito esforço, feita com recursos próprios e bastante suor. Suor que continua, agora com a venda de exemplares, já que Caju anda bastante de bicicleta, para pagar a edição.

Natural da Lapa, o autor reside em Quatro Barras. Com mestrado e especialização em Desenvolvimento Econômico, leciona Economia Brasileira Contemporânea e Teoria Econômica na Facsul, no Jardim Paulista, em Campina Grande do Sul. Filho de professora, nasceu no meio de livros, de cultura, do conhecimento e há 30 anos é professor, sendo 20 em curso superior. Em 2012, seu livro ‘Aquarela do Brasil – do café ao Plano Real’ obteve o 3º lugar no Prêmio Brasil de Economia pelo Conselho Federal de Economia. Quem se interessar pela sua obra, pode fazer contato pelo email caju1000@gmail.com

O LIVRO

Projeto gráfico próprio, com capa e diagramação de Luciana Laroca, ‘As Metamorfores do Café’ evidencia as raízes da formação brasileira, tanto cultural quanto econômica. O autor demonstra que a cafeicultura, com seus lucros, foi a via de investimentos na indústria, primeiramente com as fiações e tecelagens a partir de 1860. A concentração se daria no eixo Rio – São Paulo, com algumas unidades sendo implantadas nas próprias fazendas, muitas vezes para produzir a própria sacaria e roupas (de chita) para os trabalhadores. Só em São Paulo eram cerca de 800 mil trabalhadores, a maior concentração de trabalho do país, que durou cerca de 70 anos. A pujança do café, de 1860 em diante, fez a balança comercial brasileira se tornar positiva e até superavitária. E, como a indústria precisa de mercado consumidor para se desenvolver, os trabalhadores no café foram um potencial para o desenvolvimento industrial. Foi a época da Tecelagem São Luiz, Tecelagem Santa Ana, Tecelagem Mariangela (dos Matarazzo), da Fiação Maria Zélia. A Brasil Industrial, que ficava na Fazenda dos Macacos, no Rio de Janeiro, foi a maior tecelagem na época. José da Silveira Filho destaca que “os lucros do café eram impossíveis de ser reinvestidos no próprio negócio, porque com mais produção seria forçada a queda de preço, acarretando prejuízos aos empreendedores. Haveria a superprodução.

Outra constatação, em suas pesquisas, refere-se ao pouco valor que se dava – e se dá – ao trabalho, no Brasil e América do Sul, ao contrário do que ocorria na Europa e Estados Unidos. Especialmente o trabalho braçal. Alguns capítulos do livro são: O florescimento do capitalismo industrial, Café- lucro e indústria, O capitalismo brasileiro, Senhores de fazendas e de fábricas.