Curitiba e RMC terão novas regras para enfrentar a pandemia

Decisão foi tomada em videoconferência realizada nesta quarta-feira, dia 17, com a participação do governador do Paraná, Ratinho Júnior, do secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, e 18 prefeitos, incluindo Rafael Greca (Curitiba), Bihl Zanetti (Campina Grande do Sul) e Angelo Andreatta, o Lara (Quatro Barras)

Curitiba e municípios da região metropolitana (RMC) seguirão um protocolo único para o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). O novo decreto deve ser publicado nesta sexta-feira, dia 19, pelo Governo do Estado.

A decisão foi tomada em videoconferência realizada nesta quarta-feira, dia 17, com a participação do governador do Paraná, Ratinho Júnior, do secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, e 18 prefeitos, incluindo Rafael Greca (Curitiba), Bihl Zanetti (Campina Grande do Sul) e Angelo Andreatta, o Lara (Quatro Barras).

“Em princípio, o lockdown está descartado, mas nós, prefeitos, concordamos que medidas mais rígidas precisam ser tomadas em conjunto para que o distanciamento social seja eficaz”, informou Bihl Zanetti. Ele ressaltou a importância da sintonia entre o governo e as prefeituras. “É muito bom ter o governador e o secretário estadual ao nosso lado. A participação deles nesta reunião mostra a harmonia dos poderes no enfrentamento à pandemia”.

“Será um passo importante para alinharmos, de comum acordo, uma estratégia única de enfrentamento para esta curva acentuada de contaminação. A atuação conjunta e harmônica entre os municípios é essencial neste momento”, complementou Lara. 

“Aguardamos o regramento comum proposto pela Secretaria de Estado da Saúde. Decidimos ser parceiros e ouvir as recomendações do governador, para poupar a nossa região e o nosso Paraná da grave emergência sanitária que nos empurra para um lockdown, que nenhum de nós deseja”, afirmou o prefeito da capital, Rafael Greca.

Durante a reunião, Ratinho Junior apresentou as deliberações sanitárias que o Governo do Estado deve determinar para reduzir a propagação do novo coronavírus na capital e RMC. As regras propostas deverão diminuir a circulação de pessoas e evitar o colapso nos leitos disponíveis para atendimento a pacientes infectados pela Covid-19 nas redes pública e privada.

Entre as novas medidas estão a proibição de crianças em mercados e de aglomerações em postos de combustíveis, praças e parques.

Entre as medidas em estudo estão escalonamento das atividades comerciais para evitar aglomerações em horários específicos, escalonamento dos funcionários terceirizados das administrações municipais, fechamento dos shopping centers aos finais de semana, proibição do ingresso de crianças menores de 12 anos em supermercados, reforço na orientação de isolamento social para idosos com mais de 60 anos, proibição de consumo de bebidas alcoólicas nas ruas depois das 22 horas e proibição de aglomerações em pátios de postos de combustíveis, praças e parques.

“Esse é um problema comum e temos que pensar ele de forma coletiva e estratégica. É um trabalho pontual para a região metropolitana e Curitiba nesse momento, mas ele pode ser ampliado para outras regiões do estado”, destacou o governador. Ele disse que o Paraná chegou perto dos 100 dias de pandemia com uma situação razoavelmente controlada na transmissão, no número de leitos disponíveis e na manutenção das atividades essenciais.

PRECAUÇÃO 

Segundo o secretário estadual de Saúde, Beto Preto, a decisão conjunta para a RMC será fundamental para manutenção da qualidade no atendimento dos hospitais para a população. Ele disse que o Paraná vive o momento mais delicado da pandemia desde que os primeiros casos foram detectados, em 12 de março, e que a evolução da pandemia é dividida em dois momentos no Paraná: uma realidade de 75 dias e uma nos últimos 15 dias.

“Conseguimos evitar a transmissão descontrolada do vírus com as interrupções das atividades e da mobilidade. Mas depois tivemos grandes movimentos com auxílio emergencial do governo federal, Dia das Mães, Dia dos Namorados. Esse contexto está repercutindo nos números, passamos a uma média mais alta de novos casos por dia”, afirmou Beto Preto. “A tendência é de espiral ascendente. Se não tivermos as medidas necessárias de isolamento domiciliar e distanciamento social vamos continuar todos os dias dando maiores possibilidade ao contágio”.

O secretário citou que o Paraná tem 660 leitos de UTI e 1.126 leitos de enfermaria disponíveis para enfrentar a Covid-19 e que novos leitos serão ativados na RMC, principalmente no Hospital do Rocio, em Campo Largo.

“Estancamos o movimento nas universidades e escolas, uma queda de cerca de 20% na mobilidade das pessoas, mas só isso não basta. Estamos estudando no Comitê de Operações e Emergência em Saúde, e é importante que esse decreto seja um guarda-chuva para a região metropolitana”, acrescentou Beto Preto. “Todas as nossas orientações já são restritivas. Mesmo assim estamos vendo a circulação e ampliação de casos graves. É hora de agir”.

REPERCUSSÃO

A minuta do decreto estadual será encaminhada para deliberação interna na Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Curitiba (Assomec) antes da publicação. A ideia é construir um texto coeso em conjunto com os interesses específicos das prefeituras municipais.

Segundo o prefeito de Fazenda Rio Grande e presidente da Assomec, Marcio Wozniak, as orientações do Governo do Estado ajudam a achar as melhores alternativas. “As cidades metropolitanas vivem na capital, as pessoas circulam, precisamos pensar coletivamente. A pandemia começa a ter nome, atinge pessoas conhecidas, e é hora de novas decisões nesse enfrentamento”.

CASOS

A 2ª Regional de Saúde, que engloba Curitiba e municípios da RMC, é a que apresenta maior índice de casos (3.413) e de óbitos (135), segundo o último boletim epidemiológico. A macrorregião tem 74% de taxa de ocupação nos 230 leitos de UTI disponíveis para a Covid-19 na rede pública.

Curitiba e RMC vivenciaram um salto no número de casos de Covid-19 nos últimos dias. Em Campina Grande do Sul, 29 novos moradores foram diagnosticados com a doença na semana passada. O boletim epidemiológico desta quarta-feira, dia 17, contabiliza 92 casos. Desses, 40 pacientes estão recuperados e cinco morreram. “Apesar do crescimento, a pandemia está controlada em nosso município. A Vigilância em Saúde está monitorando caso a caso, tanto as pessoas infectadas como seus familiares. Além disso, iniciamos a testagem do funcionalismo público municipal. O procedimento está sendo feito progressivamente, secretaria por secretaria. Também seguimos fiscalizando os protocolos decretados para o comércio e serviços abertos na cidade, como o uso de máscaras de proteção e álcool em gel”, comentou o prefeito Bihl Zanetti.

Em Quatro Barras, a curva também é ascendente. Foram registrados 18 moradores contaminados pela doença na semana passada. Ao todo, o boletim epidemiológico desta quarta-feira, dia 17, contabilizou 63 casos – 35 pacientes se recuperaram e um morreu. 

PRESENÇAS

Também participaram do encontro o vice-governador, Darci Piana, o chefe da Casa Civil, Guto Silva, os secretários João Debiasi (Comunicação e Cultura), Norberto Ortigara (Agricultura e Abastecimento), Valdemar Bernardo Jorge (Planejamento e Projetos Estruturantes) e João Carlos Ortega (Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas), o diretor-geral da Saúde, Nestor Werner Júnior, a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde, Maria Goretti David Lopes, e o diretor-presidente da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), Gilson Santos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *