Prefeito estima que 150 mil romeiros passem pelas festividades do Bom Jesus de Iguape

Em conversa com o Jornal União, o prefeito de Iguape, Wilson Almeida Lima (PSDB), se mostra otimista com a Festa do Bom Jesus de Iguape. O chefe do executivo iguapense estima que 150 mil romeiros passem pelas festividades na cidade. O número leva em consideração ao sucesso de público que foi a popular Festa da Tainha, realizada nos dias 22, 23 e 24 de julho.

“Esperávamos reunir, inicialmente, seis mil participantes na Festa da Tainha. No entanto, o número de pessoas superou expectativas. Para a Festa do Bom Jesus de Iguape, preparamos uma estrutura muito maior, tudo para que o romeiro que virá visitar a cidade se sinta acolhido e confortável”, disse.

Uma das novidades para a Festa do Bom Jesus de Iguape deste ano, segundo afirma o prefeito, é o local onde ficará as barracas. Tradicionalmente localizadas na Avenida Princesa Isabel, próximo da Basílica, desta vez a estrutura foi transferida para o Centro de Eventos.

Almeida justificou que a mudança leva em consideração a preservação da orla da Princesa Isabel. “O Centro de Eventos oferece muito mais espaço para abrigar barracas e concentrar outras atrações decorrentes do evento. No antigo local, devido ao grande público, as calçadas da orla ficavam muito danificadas. Nossa intenção é conservar a cidade nesse aspecto”, conta.

Além das barracas, o Centro de Eventos também receberá entre outras atrações, a praça de alimentação, shows e parque de diversão.  Para receber os romeiros, a prefeitura realizou benfeitorias nos prédios históricos e na Basílica. As benfeitorias somam cerca de R$ 3 milhões.

Será disponibilizado um ônibus jardineira e trenzinho para transporte dos romeiros, do Centro de Eventos à Igreja Matriz, além da disponibilização de banheiros químicos.

“Vamos quebrar um paradigma da festa para melhor e, principalmente, nesse ano marcar a retomada dela em nossa cidade”, conclui o prefeito, que é o 1º a ser reeleito na cidade e com aprovação de mais de 70% de sua gestão.

 

A história da imagem do Bom Jesus de Iguape

No ano de 1947, foi encontrada, na Praia de Uma, uma imagem do Senhor Bom Jesus da Cana Verde.

Conta-se que dois índios, que trabalhavam para um proprietário de terras da região, avistaram um vulto rolando nas ondas da praia e o resgataram. Deixaram a imagem do santo com a face voltada para a Vila de Itanhaém e seguiram viagem, dando notícia do achada. Ao voltarem, pelo mesmo caminho, teriam percebido que sua face estava voltada para o lado de Iguape – direção contrária a Intanhaém.

O mistério ganhou força com a tentativa de transporte. Uma família caiçara teria se ocupado de levar a imagem até a igreja matriz, mas no caminho, foi abordada por um grupo que ordenou que esta deveria ser conduzida a Itanhaém, na época, sede da Capitania. A mudança de direção mostrou-se empreitada de impossível realização, pois a imagem teria adquirido um peso descomunal. Quando, no entanto, a família caiçara retomou a rede para transportar o santo de Iguape, o mesmo readquiriu o peso original.

O Bom Jesus de Iguape entrou na Igreja Matriz em 2 de novembro de 1647 e assim teve início sua reputação milagrosa, com cultos e devoções que ganham contornos festivos todos os anos, de 28 de julho a 6 de agosto.

Ainda que Nossa Senhora das Neves seja a padroeira de Iguape desde os tempos do povoado de Icapara, a importância da romaria do Bom Jesus é tamanha que, já em 1683, a matriz dedicada a esta santa ficou conhecida como Igreja Bom Jesus de Iguape.

Uma vez que nos dois séculos seguintes Iguape assumiu posição de destaque do ponto de vista econômico e político de Capitania, a repercussão das graças concebidas pelo santo ganharam eco.

Hoje Iguape é considerada um dos grandes centros de peregrinação do Brasil, realizando a segunda maior festa popular religiosa do estado de São Paulo. Durante a festa, centenas de barracas diversificadas ocupam a praça da Basílica e suas imediações. Milhares de pessoas participam das missas, novenas e romarias. A cada ano, os peregrinos refazem, em procissão, o percurso da imagem, da Praia do Uma até Iguape, passando pelo costão da Jureia.