O chão tremeu em Quatro Barras, uma cidade explosível

Acidentes acontecem. Um navio pode afundar se está no mar. Um avião pode cair se está no céu. Dinamite pode explodir numa fábrica de explosivos. Pode, mas não deve. Quatro Barras, mais uma vez, assustou-se por causa de uma explosão. Foi na sexta-feira, dia 3, na AEQ Aliança Eletroquímica, localizada no Jardim Pinheiros. 

A explosão aconteceu dentro de um contêiner com explosivos, que estava em uma área isolada na empresa, e provocou um incêndio. Moradores da região ouviram o estrondo e sentiram o tremor no chão. A fumaça pode ser vista por horas a quilômetros de distância. O fogo atingiu apenas uma vegetação e foi rapidamente controlado pelos bombeiros. Não houve vítimas. 

A AEQ produz no município, há 20 anos, explosivos para uso civil e acessórios de detonação. Nossa reportagem entrou em contato para entender a causa da explosão, mas a empresa optou por não se pronunciar. 

OUTROS ACIDENTES

Quatro Barras sedia também, há quase 60 anos, a Britanite, que, desde 2015, pertence integralmente à chilena Enaex e desde então não registra nenhum acidente. É o terceiro maior produtor de nitrato de amônio do mundo. Em sua história recente, não há registro de acidentes com explosivos. Mas, quem viveu na região nos anos 90 lembra das grandes explosões ocorridas na empresa. 

Em julho de 1993, um paiol explodiu na empresa, sem vítimas fatais. Em maio de 2000, outra explosão, num setor onde os funcionários trabalhavam com brível (cordão utilizado para detonar a dinamite), provocou uma morte. Em maio de 2004, mais uma explosão num barracão matou duas pessoas e deixou outra gravemente ferida. Além disso, em janeiro de 2012, desapareceram 212 bananas de dinamite de dentro da empresa. Elas estavam em oito caixas e pesavam cerca de 200 quilos. Na época, ocorria o auge das explosões de bancos eletrônicos. No mesmo ano, houve uma tentativa de explosão do caixa eletrônico de dentro da empresa. O alarme disparou e os marginais fugiram, deixando as bananas já colocadas no caixa.