Mulheres no poder

As vereadoras Ana Carolina Mascarenhas Ferrer, a Carol, e a Vania de Lara são as únicas representantes do público feminino nas câmaras de Campina Grande do Sul e Quatro Barras, respectivamente. Elas falam sobre a importância de inspirar mais mulheres a ocuparem a política.

Carol disputou duas vezes o pleito eleitoral, em 2012, quando foi a 14ª candidata mais votada, e em 2016, quando se elegeu com 798 votos. “Eu fui incentivada pelo ex-prefeito Luiz Assunção a entrar na política e ser uma representante feminina da população. Há 10 anos eu me preparo para estar na posição que me encontro hoje”. Além da graduação em Turismo, Carol se especializou em Gestão Pública. “Eu sinto uma responsabilidade diferente por ser a única mulher eleita em Campina Grande do Sul, mas nunca temi por isso. Até porque no meio de vários primos homens, eu sempre fui a única mulher, então estou acostumada a lidar com o sexo masculino”.

Para ela, a procura do público feminino ficou abaixo do esperado. “Por ser a única representante mulher, eu esperava uma procura maior das mulheres a mim. Sinto falta disso, pois, apesar de tentar representar e defender os assuntos relacionados às mulheres, acho que se houvesse mais retorno delas, poderia fazer um trabalho ainda melhor, conhecendo a real situação e os anseios das mulheres do município. Espero conquistar cada mais essa confianças das mulheres campinenses”.

No ano passado, Carol viu a vida mudar, quando precisou conciliar a vida de vereadora, empresária e esposa com as responsabilidades da maternidade. “Eu estou aprendendo a ser tudo. No ano passado, quando a minha filha Isis nasceu, foi mais difícil, este ano já está menos complicado, mas com certeza a nossa rotina muda muito. Eu acordo mais cedo, preciso pensar não só em mim, mas nela também, e com as coisas do escritório e as atividades Legislativas, parece que o tempo falta para tudo. Mas, a verdade é que eu renuncio tudo pelas minhas obrigações como vereadora, pois a confiança de centenas de pessoas foi depositada em mim e eu acho que nenhum dos meus problemas podem atrapalhar isso. Não há qualquer desculpa que eu possa dar, para deixar de ser vereadora. Tanto que, no dia que eu cheguei do hospital, depois que ganhei a Isis, participei de um compromisso com os meus colegas de partido”. A vereadora Ana Carolina Mascarenhas se coloca à disposição da população através do número (41) 99621-3292.

Vania, vereadora de Quatro Barras, disputou pela primeira vez uma eleição no ano de 2016, quando foi eleita com 372 votos. “Eu sempre trabalhei junto à população e sempre estive envolvida na política, até por ter familiares que já foram vereadores. Então, a minha candidatura foi uma resposta a todas as pessoas que sempre me cercaram e pediam para que eu as representasse no cargo de vereadora”. Para ela, ser a única representante feminina da população é uma responsabilidade. “Quando vi que fui a única mulher eleita, senti uma grande responsabilidade por essa questão da representação mesmo. E, ao longo desse tempo, eu sempre fui procurada mais por mulheres. Acredito que elas veem em mim uma referência na Câmara”.

Conciliar o trabalho na Câmara, a família e os filhos, para ela é um desafio, mas que pode ser vencido. “Eu sou divorciada e meus filhos moram com o pai, mas sempre estamos juntos. Por isso eu tento sempre dividir as atenções entre eles, minha família, a população e os afazeres  da Câmara. Não é fácil, mas conseguimos”.

Ela destaca que as pessoas, as mulheres, principalmente, precisam se envolver mais com os assuntos que dizem respeito ao município. “As mulheres precisam se envolver mais, conhecer como funciona todo o sistema e, juntas, se unir na busca pelo amor ao próximo, pois as pessoas estão preocupadas apenas com si próprias, com disputas políticas; ninguém se preocupa mais com o ser humano. Isso é o que me deixa muito triste”.

Para as mulheres, ela deixa um recado: “As mulheres precisam acreditar mais no seu potencial, cada uma com o seu dom e a sua forma. Valorizar o que há de melhor dentro de cada uma e exigir respeito, o que para algumas mulheres ainda é algo retraído”.