Famílias fazem caminhada pelo Jardim Paulista e pedem conscientização e direitos à causa autista

Carregando cartazes com os dizeres: “Autismo não se cura, se compreende”, “Meu autismo não me limita, seu preconceito sim!”, entre outros, famílias de autistas fizeram uma caminhada pelas ruas do Jardim Paulista, em Campina Grande do Sul, na tarde do último sábado (2). O ato foi o 1º do grupo, e segundo a organização, reuniu mais de 150 pessoas, incluindo terapeutas da área.

O ato teve início em frente ao Ginásio de Esportes Ricieri Bernardi, e percorreu as ruas José Sbalcheiro, João Trevisan e Ângelo Antônio Zanchettin, marcando o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. O objetivo da caminhada foi difundir e informar a população sobre o autismo com intuito de reduzir a discriminação e o preconceito que cercam as pessoas afetadas pelo Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Segundo Leandro Aguiar, presidente da Associação de Mães, Pais, Terapeutas e Amigos de Autistas de Campina Grande do Sul (TEAMO AUTISTA CGSUL), a caminhada também teve o intuito de chamar a atenção do poder público em prol da causa. Para ele, apesar de existir uma lei federal que garante direitos aos autistas, muitas famílias ainda enfrentam dificuldades em conseguir um tratamento adequado. “Não foi um ato de comemoração, mesmo porque não temos o que comemorar, ainda. A comunidade autista vive complicações em acessos à terapias, neuros e um descaso no ambiente escolar sem precedentes. Precisamos que o poder público entenda que o autismo é uma questão emergencial da Saúde Pública”, enfatiza.

Seminário online

Contemplando as atividades no Mês da Conscientização do Autismo, no próximo sábado (9), a ong vai promover o “Seminário Autismo de Campina”, destinado aos profissionais da Educação e Saúde, com o objetivo de formar e debater o tema da inclusão social em Campina Grande do Sul.

O evento terá 10 horas de duração, com abertura às 9h30, e contará com depoimentos e palestras de pessoas e especialistas que convivem diretamente com o autismo. Para ter acesso os participantes precisarão instalar o aplicativo Zoom. A capacidade da reunião será para até 250 pessoas simultaneamente, com direito a interação e perguntas. Os ingressos estão disponíveis gratuitamente na plataforma do sympla ou direto no link da bio do instagram @teamoautistacgsul.

Sobre a TEAMO AUTISTA

A TEAMO AUTISTA é uma ong recente e reúne um acumulado de histórias de lutas e mobilizações individuais de familiares que vêm enfrentando e tentando mudar a realidade de seus filhos, parentes, ou os próprios autistas que buscam sensibilizar o poder público a atuar com políticas públicas efetivas, no que tange ao atendimento das necessidades de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), em especial aos autistas residentes no município.

O que é autismo

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) reúne desordens do desenvolvimento neurológico presentes desde o nascimento ou começo da infância. São elas: Autismo Infantil Precoce, Autismo Infantil, Autismo de Kanner, Autismo de Alto Funcionamento, Autismo Atípico, Transtorno Global do Desenvolvimento sem outra especificação, Transtorno Desitegrativo da Infância e a Síndrome de Asperger. 

E 2015, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o Autismo uma crise de saúde pública global, devido a prevalência do autismo crescendo cada vez mais, considerando os dados de 2018 do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, cerca de um a cada 44 crianças é identificada com um transtorno de espectro do autismo (TEA).

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais DSM-5 (referência mundial de critérios para diagnósticos), pessoas dentro do espectro podem apresentar déficit na comunicação social ou interação social (como nas linguagens verbal ou não verbal e na reciprocidade socioemocional) e padrões restritos e repetitivos de comportamento, como movimentos contínuos, interesses fixos e hipo ou hipersensibilidade a estímulos sensoriais. Todos os pacientes com autismo partilham estas dificuldades, mas cada um deles será afetado em intensidades diferentes, resultando em situações bem particulares. Apesar de ainda ser chamado de autismo infantil, pelo diagnóstico ser comum em crianças e até bebês, os transtornos são condições permanentes que acompanham a pessoa por todas as etapas da vida.