Delegado revela como tem sido os trabalhos desde que assumiu as Delegacias de Campina e Quatro Barras

Há cerca de seis meses no comando das Delegacias de Campina Grande do Sul e Quatro Barras, o delegado Eduardo Machado de Oliveira, conversou com o Jornal União, e revelou como tem sido os trabalhos desde que assumiu as duas unidades policiais.

Mesmo em meio a dificuldades enfrentadas, a principal sendo a falta de efetivo – realidade que não é exclusiva das delegacias da região – os resultados têm sidos satisfatórios no que tange ao sucesso das investigações, conclusão de inquéritos e elucidação de crimes graves. Ações no combate à violência doméstica E redução de presos nas carceragens, também foram aplicadas no período.

Natural de Curitiba, Oliveira está na Polícia Civil há 12 anos. Ele já atuou em Ponta Grossa, na Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc), e posteriormente foi responsável pela Delegacia do Adolescente e pela Central de Flagrantes de Curitiba. A última unidade em que passou foi a Delegacia de Rio Branco do Sul, na região metropolitana.

Menos presos nas delegacias

Um dos pontos destacados pelo delegado foi a diminuição na quantidade de presos nas carceragens, tanto na unidade de Campina quanto em Quatro Barras. “Era um projeto antigo do departamento em acabar com a superlotação. O problema era tão sério que havia até interdição do Poder Judiciário sobre a carceragem das duas delegacias”, revela.

Além de dar mais segurança aos agentes e a população ao entorno da delegacia, o processo de transferência dos presos que chegam à unidade policial agora é feita de forma ágil. “Os detidos que possuem mandados de prisão não ficam por muito tempo sob nossos cuidados. Eles são imediatamente encaminhados para o Sistema Penitenciário. Somente aqueles presos em flagrante permanecem por mais tempo aguardando a audiência de custódia. Ou seja, depois dessa etapa são encaminhados para o presídio ou responderão em liberdade”, afirma o delegado.

Antes da redução de detentos nas carceragens, os registros de fuga e rebeliões eram constantes nas duas unidades prisionais e se tornava uma ameaça à integridade dos policiais e dos moradores próximos à delegacia. “A DP se tornou um local de passagem dos detentos e não mais uma moradia como acontecia antes. Havia muitos problemas com a superlotação e motins que eram programados rotineiramente pelos presos que ficavam amontoados dentro da cela”, relembra.

A retirada dos presos das carceragens é feita graças à integração do Poder Judiciário e das forças policias estaduais, que auxiliam nos processos de realocação, transporte e escolta dos presos das carceragens para penitenciárias e presídios.

Atendimento à mulheres vítimas de violência doméstica

Sob sua gestão, o município de Quatro Barras aprimorou o atendimento à mulheres vítimas de violência doméstica, feito que é comemorado pelo delegado. A unidade está em funcionamento desde outubro de 2021, em um endereço próximo à delegacia. “Muitas das vítimas se acostumam com a agressão verbal feita pelo companheiro, e só denunciam quando há agressão física. Tínhamos muitas notificações sobre violência doméstica na cidade. Muitas das vítimas não se sentiam à vontade de denunciar a agressão. Agora elas têm um espaço de acolhimento especializado”, conta.

A implantação do setor especializado foi feita em ação conjunta da Polícia Civil com a Prefeitura e Câmara Municipal.

Redução de homicídios

O delegado destacou a elucidação de crimes graves no período em que está à frente das duas delegacias, sobretudo com relação aos homicídios com autoria, evitando assim que outros crimes mais graves como os homicídios consumados acontecessem.

Oliveira atribui o sucesso das investigações criminais ao trabalho abnegado das equipes policiais. Comparando os índices de criminalidade entre Campina Grande do Sul e Quatro Barras há uma diferença com relação aos números de ocorrências, segundo o delegado. “Em Campina Grande do Sul, por exemplo, a criminalidade é notória pelo fato do município ter uma população maior. A região em que mais se registrou ocorrências foi o Jardim Paulista”, conta.

Por outro lado, Quatro Barras tem registros baixos de crimes, e pode ser considerada uma cidade mais tranquila, conforme aponta o delegado. Oliveira pontua que os casos graves envolvendo mortes na cidade são registros que iniciam em outras regiões e terminam em Quatro Barras. “O que acontece normalmente é o encontro de cadáveres, e em quase todos os casos, são de pessoas que são desovadas no município. Ou seja, são assassinadas em outras localidades e trazidas para cá”.

 

Delegacias Cidadãs

Durante a entrevista, o delegado também informou que há intenção por parte do Poder Público para implantação de Delegacias Cidadãs em Campina Grande do Sul e Quatro Barras.

Em comparação à estrutura já existente nas unidades policiais, as chamadas Delegacias Cidadãs oferecem espaços mais humanizados para atendimento ao público, pois possuem acessibilidade para pessoas com dificuldades motoras e banheiros adaptados, além de salas para atendimentos seletivos, com espaços separados para o recebimento de vítimas e de agressores ou suspeitos, e ambientes isolados para crianças, adolescentes, mulheres e idosos.

Segundo o delegado, nos dois municípios os terrenos para construção das novas unidades já foram cedidos e cabe ao Estado dar prosseguimento ao projeto. “Em Campina a delegacia deve ser instalada na região do Araçatuba. Já em Quatro Barras, a ideia é implantá-la próximo ao terminal de ônibus”, afirma.

Ainda de acordo com o delegado, a estrutura da Delegacia Cidadã é moderna e segura. “Ela reúne diversas especialidades em um único local, com serviços centralizados para a população, o que diminui custos diários da Polícia Civil”, afirma.

Outro ponto destacado no projeto é que a estrutura das novas unidades possui espaço para o Instituto de Identificação, responsável pela emissão do RG, o que vai agilizar ainda mais a emissão de documentos dos moradores. Todos os ambientes possuem climatizadores.

Encerramento da delegacia

O dos desafios enfrentados pelo delegado nesses pouco mais de seis meses foi o risco da unidade policial em Quatro Barras ser fechada. Oliveira revelou que enfrenta dificuldades com relação a falta de pessoal nas delegacias, e que precisou centralizar um dos plantões para que o atendimento em Quatro Barras fosse mantido.

“Muitos agentes se aposentaram, outros saíram. A gente está se equilibrando ainda. Procurei conversar com todo meu pessoal, compôr com toda equipe, para que não fosse algo impositivo. Todos apoiaram e entenderam a necessidade dessa centralização de um dos plantões. Com isso, conseguimos liberar uma equipe de investigação e manter os trabalhos”, revela.

Parceria com a população

O delegado frisou ainda que a Polícia Civil mantém uma boa parceria com o Judiciário e o Ministério Público, além das prefeituras das duas cidades, incluindo as Guardas Municipais e Polícia Militar. Mesmo com as boas relações com os demais setores, Oliveira frisa que a participação da comunidade é fundamental para o trabalho da polícia. “É importante que a população continue denunciando a ocorrência de crimes, a identificação dos respectivos autores e a localização dos foragidos da justiça, pois toda denúncia é averiguada minuciosamente no mais absoluto sigilo. A Polícia Civil está à disposição de todos que precisarem!”, conclui.