Cerro Azul tem problemas graves a resolver: falta de agência bancária e de mais ônibus

Cerro Azul está se deparando com dois problemas que afetam o seu desenvolvimento econômico e social: a falta de agência bancária e de mais ônibus na ligação com Curitiba.

A respeito de banco, já há alguns meses o único estabelecimento que funcionava na cidade, o Itaú, fechou suas portas alegando falta de segurança. Só funciona atualmente uma agência cooperativa da Cresol. Na verdade, a seguida ação de bandidos que explodiram caixas eletrônicos nas então existentes agências do Itaú, Bradesco e Banco do Brasil, com a falta de policiamento, afastaram os estabelecimentos.

Em relação ao Banco Itaú, o último banco a deixar a cidade, houve uma ação do Ministério Público do Paraná, por meio da Promotoria de Justiça de Cerro Azul, determinando que a agência atendesse aos moradores pelos próximos 90 dias antes de cessar suas atividades sem oferecer o devido esclarecimento e atendimento aos clientes, notadamente moradores de Cerro Azul e Doutor Ulisses.

O último ataque a banco (Itaú) foi registrado por volta da meia noite no dia 3 de outubro do ano passado. Por causa de falta de policiamento, os bandidos tinham facilidade para fugir em direção ao Estado de São Paulo, cuja divisa está a poucos quilômetros.

Em razão da suspensão das atividades bancárias, o cidadão cerro-azulense tem se dirigido à agência bancária mais próxima, que fica em Rio Branco do Sul a 50 quilômetros. Já para os moradores de Doutor Ulysses a situação fica ainda pior, com a distância de 100 quilômetros. Sofrem com isso aposentados, comerciantes, industriais, agricultores (que ganham atualmente um bom dinheiro com a safra da ponkan).

Ônibus

Houve um tempo em que, mesmo sem asfalto (que passou a existir desde 4 de maio de 2006),  e mesmo com as constantes quedas de barreiras que ocorriam, a empresa Cerro Azul mantinha ligação diária com Curitiba. Atualmente, a concessionária é a Viação Graciosa, que só opera na linha na segunda, quarta e sexta-feira. Com isso, o cidadão que sai da capital numa segunda-feira para resolver um problema rápido em Cerro Azul – e poderia voltar no mesmo dia – é obrigado a se hospedar em hotel, para retornar só na quarta-feira.

A empresa alega que não há passageiros para que novos horários sejam abertos.

Fala a população

Para o empresário Aglerson Mangger, da Mineração Nossa Senhora do Carmo, “é inaceitável o que estão fazendo com a população de Cerro Azul. O Banco Itaú deve explicações para nós, pois tantos anos faturou aqui e agora sai com uma boa desculpa”. Quanto à falta de segurança, “é o que nossos governantes devem resolver. E se não tiverem condições, que saiam de seus cargos e deixem alguém com capacidade fazer isso”. Em relação tanto a banco como a ônibus, ele diz que “as empresas devem por obrigação atender de forma satisfatória as necessidades da população e não só seus interesses”.

O professor Nelson Lorenski diz que “Não há dúvida nenhuma de que a falta de agências bancárias em Cerro Azul prejudica a população, haja vista que muitos cidadãos precisam se deslocar para a cidade vizinha de Rio Branco do Sul para sacar seus benefícios ou resolver outros problemas bancários. Primeiramente, o deslocamento gera um custo de transporte. Em segundo lugar, toma muito tempo tanto para deslocar-se como, chegando lá, precisa enfrentar grandes filas, tomando praticamente o dia inteiro para uma questão que poderia ser resolvida em alguns minutos numa agência local”.

Sobre a falta de ônibus o morador afirma: “É outra limitação que se impõe aos cidadãos de Cerro Azul e Doutor Ulysses. Na realidade, hoje, quem pode, adquire automóvel para ter mais autonomia para escolher o horário que mais lhe convém para viajar até Curitiba. E essa diminuição no número de passageiros está levando a empresa de ônibus a diminuir seus horários semanais. Semana passada, meu irmão viajou até Almirante Tamandaré e o motorista relatou que em muitas viagens o número de passageiros é tão pequeno que não cobre os custos. Há alguns anos o ônibus ia totalmente lotado a Curitiba e havia dois horários, um pela manhã e outro após o almoço e nos dois horários havia passageiros para lotar o ônibus”.

Destaque-se que a Associação Comercial, Industrial e Agrícola – ACIACA – de Cerro Azul lutou contra o fechamento do Banco Itaú, inclusive, com os vereadores, o prefeito Patrik Magari, representantes de entidades como o Conseg, Sismucaz, Projeto Vinde a Mim os Pequeninos, empresários, tendo reunião com o Promotor de Justiça da Comarca, Dr. Alan Bolzan Witczak. Foi quando se conseguiu o prazo de mais 90 dias.