40 anos na cidade: conheça a história da Mecânica Bandeira, a primeira da região

Quem diria que após tantas crises econômicas, contratempos do dia-a-dia e recentemente a pandemia, seria possível ainda existir uma oficina mecânica capaz de sobreviver a todas essas adversidades e chegar no auge dos seus 40 anos. Assim é a Mecânica Bandeira, localizada na rua Professora Nilce Terezinha Zanetti, 396, no Jardim Paulista, em Campina Grande do Sul.

Fundada no início de 1982 pelo Sr. Edison Luiz Bandeira, recém-completados 65 anos no último 20 de janeiro, a oficina foi a primeira da região. Chegar ao patamar de “quarentona”, com a credibilidade e virilidade que possui é pra poucas. Afinal, enquanto outras mecânicas que vieram depois dela acabaram fechando as portas ao longo dos anos, a Oficina do Bandeira se manteve firme, sempre no mesmo endereço.

Antes de ter a própria oficina, Bandeira trabalhou como auxiliar de mecânico numa empresa em Curitiba, local que também desempenhou o cargo de gerência. Natural de Bocaiúva do Sul, ele já residiu no bairro Solar, em Curitiba, mas mudou-se para Campina Grande do Sul aos vinte e poucos anos, época em que também casou-se com a dona Sônia Ferrarine Bandeira, hoje com 61, com quem teve duas filhas: Andiara Cristina Bandeira (38) e Jéssica Luana Bandeira (34).

Em entrevista ao Jornal União, Bandeira relembra de como tudo começou. Ele conta que no início foi necessário muito esforço e horas extras de trabalho. “Muitos dos clientes que conheci na antiga empresa viraram meus clientes. Aos finais de semana minha casa se transformava em oficina. Eles traziam seus veículos pra eu consertar, isso quando eu não ia na casa deles buscar peças ou o próprio carro. Os dias que eram pra ser de descanso eu continuava trabalhando”, conta.

Os anos se passaram e Bandeira foi aproveitando as oportunidades para se manter atualizado com as novas tecnologias que foram chegando, juntamente com os novos modelos de veículos produzidos. Ele continuou sempre fazendo mais e mais cursos, oferecidos por indústrias e escolas profissionalizantes como Senai, Senac, entre outras.

Com toda dedicação e conhecimento adquiridos, a clientela só aumentava a cada semana, foi quando então que ele resolveu sair da empresa em que estava e se dedicar somente ao próprio empreendimento. “No começo trabalhava sozinho, mas precisei contratar funcionários para dar conta de tanta demanda”.

Dentro do rol de clientes que a oficina mantém atualmente há aqueles considerados “fiéis”, que não largam o serviço do Bandeira por nada nesse mundo, nem mesmo a distância é empecilho. Prova disso, é o dono de um Fusca ano 75 que mora em Antonina, no litoral do estado. “Sempre quando o fusquinha apresenta um problema ele faz questão de trazer pra eu arrumar”, conta orgulhoso pela confiança nele depositada, afinal percorrer mais de 50 quilômetros pra arrumar um carro não é qualquer cliente que se dispõe.

Perguntado sobre qual seria o segredo para manter a oficina por tanto tempo em funcionamento, Bandeira é enfático em resumir tudo em uma única palavra: honestidade! Para ele “a honestidade é o ponto primordial para quem quer ter sucesso na vida”.

Recordação da infância

As duas filhas de Bandeira cresceram praticamente dentro da oficina. Foi nesse ambiente composto por peças e carros que uma delas, Andiara Cristina Bandeira, recorda como se fosse hoje, dos bons momentos que lá passou. “Eu tinha minha própria roupa da oficina, gostava de mexer com as ferramentas, porcas, parafusos. Era uma alegria brincar lá e ter meu pai por perto me observando”, conta.

Andiara relembra de outros momentos marcantes, como as festas de aniversário dela. “Meus primeiros anos de vida eu comemorei lá. As brincadeiras aconteciam no pátio da oficina. Era uma alegria sem tamanho”, relembra Andiara, que coleciona outras alegrias nos dias de hoje, como a de continuar morando perto do pai e também ver a história dela se repetindo com o filho de quatro anos. “Tudo que meu pai fazia comigo, hoje ele faz com o neto. Ele ama ficar na oficina com o avô o acompanhando nas tarefas diárias”, diz Andiara.

A filha mais nova de Bandeira, Jéssica Luana Bandeira, não economiza elogios ao falar sobre o pai.  Para ela, o seu Bandeira é fonte de inspiração e referência quando o assunto é honestidade, dedicação e esforço.

Homenagem

E foram as filhas de Bandeira que procuraram o Jornal União para que a história do pai fosse retratada através dessa reportagem especial. Claro, que pra isso tivemos que ter uma conversa direta com o senhor Edison Bandeira, que por sinal nos recebeu muito bem em sua oficina. Pra não levantar suspeitas, falamos que estávamos buscando informações sobre as oficinas mecânicas mais antigas existentes na região. Acreditamos que ele nem tenha desconfiado da surpresa que as filhas preparavam.

Aproveitando o ensejo, nós do Jornal União desejamos que a Mecânica Bandeira perdure por mais 40, 80 anos, e que continue sendo um exemplo de gestão, técnica e atendimento.

Pauta

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