Quando até a carreira está no DNA

Em homenagem ao dia dos pais, a nossa reportagem traz histórias de profissões que utravessam gerações. É o caso da  família Ceccon, proprietária da JC Móveis, localizada no Jardim Paulista, em Campina Grande do Sul, que tem o pai, João, e os três filhos – Joslei, Juliano e Joshuan – na direção do estabelecimento. João conta que assumiu a loja de móveis em 1998 e teve os filhos ao seu lado desde o início. “Eu sempre pensei em fazer algo que ficasse para eles. Desde a adolescência eles participam das atividades da loja”. Ele lembra que sempre incentivou os filhos a se tornassem gestores do negócio. “Eles abraçaram a loja com vontade. Hoje, se for preciso, já estão preparados para tocar tudo sozinhos”.

Para o filho mais velho, Joslei, de 37 anos, trabalhar com o pai sempre foi uma realidade. “Antes da loja o meu pai mexia com obras, e nós já ajudávamos ele. Então, só demos continuidade no trabalho aqui na loja, quando ele comprou. No início tudo era novo, não sabíamos direito como ia ser. Mas, hoje, não me vejo fazendo outra coisa e com certeza vamos dar continuidade ao negócio do pai, até Deus permitir”.

NA OFICINA

Os filhos de Antônio Barbosa, o Toninho, da Mecânica Elite, de Quatro Barras, Eleandro e Thiago, de 37 e 31 anos, também seguiram os passos do pai. “Eu sempre trabalhei com o pai. Nunca pensei em fazer outra coisa. Provavelmente meu filho também vai trabalhar aqui, mesmo que depois ele escolha fazer outra coisa da vida”, diz Eleandro.

Para Toninho, ver os filhos seguindo a mesma profissão, de mecânico, e dando continuidade ao negócio da família é um orgulho. “Desde quando eles tinham sete anos de idade eu comecei a ensiná-los. Eles nasceram e se criaram aqui na oficina, por isso me sinto feliz que eles possam tirar o seu sustento daqui também”. Além dos dois filhos, a filha de Toninho, Vanessa, de 21 anos, e a esposa trabalham na oficina, no departamento administrativo.  

NA ESTRADA

Marcelo da Silva, de 37 anos, é caminhoneiro há 15 anos, filho do também caminhoneiro Giumar da Luz Cordeiro, e conta que desde pequeno andava ‘agarrado’ com o pai no caminhão. “Desde pequenininho eu fui apaixonado por caminhão. Acredito que a inspiração veio do meu pai, por ver ele. Graças a ele eu sou o que sou hoje. Ele nos ensinou a ser batalhador e correr atrás sempre do meu. Ser caminhoneiro foi um bom caminho que eu entrei. Tenho vários amigos que se envolveram em coisas erradas e hoje já são até falecidos, mas o meu pai me ensinou a profissão que hoje sustenta a minha família”.

Robson da Silva, irmão de Marcelo, de 36 anos, diz que sempre viu o pai trabalhar e desde criança teve o desejo de seguir a profissão do pai. “Eu e meu irmão sempre nos ajudamos para conseguir seguir essa carreira. Hoje trabalhamos com o que gostamos, porque sempre fomos apaixonados por caminhão. Algo que passou do pai para nós. Só temos a agradecer a ele, por ter nos ensinado”.

NA POLÍTICA

O vereador de Campina Grande do Sul Venício Ferreira conta que o desejo de trabalhar em prol da população é algo que veio de família. Seu pai, Osvaldo Ferreira, mais conhecido como Osvaldão, foi vereador durante 32 anos na cidade. “Eu acordava cedo para ir à escola e já na mesma hora meu pai estava correndo para trabalhar nas ruas com o povo. Eu gostava de ver a alegria das pessoas em serem atendidas por ele com respostas positivas. Isso me incentivou a seguir seus passos como vereador. Então, no ano de 2008 como ele já estava com alguns problemas de saúde eu decidi sair candidato, para dar continuidade nos trabalhos. Desde então, continuamos trabalhando, com mandato ou não, ajudando a população”. Para ele, o pai foi um grande exemplo de pessoa humana e política. “Por isso tenho trabalhado para levar uma boa qualidade de vida para a população com responsabilidade e compromisso”.

Osvaldão lembra que no tempo em que foi vereador, trabalhou muito pelo povo e pelo município. “Sempre com o apoio da minha família e de todos os filhos. Sempre pensei que se um deles viesse a ser vereador, com certeza aprendeu a trabalhar como eu fazia. Hoje, tenho um sentimento de dever cumprido com o povo. O Venício aprendeu como eu fazia para ajudar a população mais carente e sempre fazendo como eu fazia, dando um retorno positivo para as pessoas”.

NA MADEIREIRA 

As irmãs Mariana e Nathalia, de 28 e 27 anos, são quem administram atualmente a empresa, Madeireira Taiguara, junto com o pai, Egidio Vaccari. “Sempre o meu intuito foi que eles seguissem no ramo administrativo, para trabalhar na empresa junto comigo. Hoje, eu me sinto muito agradecido e feliz pelas duas estarem aqui”.

Mariana conta que ela já trabalha na madeireira há 14 anos, e a irmã, Nathalia, há três, pois trabalhava em outro negócio da família, com a mãe. “Inicialmente eu trabalhava com meu pai apenas meio período, pois estudava. Eu auxiliava meu tio, Delvio Bavaresco, no setor administrativo, mas depois que ele faleceu, eu e meu pai assumimos juntos, pois antes ele cuidava mais da parte operacional. Hoje, eu, minha irmã e meu pai administramos a madeireira juntos, cada um com sua função e quando precisamos tomar uma decisão importante, fazemos juntos”.

Segundo Mariana, que é graduada em Direito (curso escolhido por seu pai e seu tio), aceitar o conselho deles quanto à faculdade foi a melhor escolha que fez. “Os anos foram se passando e hoje eu tenho certeza que eles escolheram a profissão certa pra mim, pois tudo que aprendi na faculdade aplico na empresa”. Nathalia é formada em Administração e, atualmente, cursa Medicina Veterinária.