Covid-19: pacientes investigados em Campina têm sintomas leves 

Campina Grande do Sul tem 101 casos do novo coronavírus (Covid-19) em investigação, cinco descartados e nenhum confirmado até o momento. Os últimos números foram divulgados na noite de sexta-feira, dia 27. Os pacientes apresentam sintomas leves e estão em isolamento domiciliar. Quatro dias atrás, apenas nove campinenses tinha suspeita da doença. Em entrevista ao Jornal União, a secretária municipal de Saúde, Andiara Bandeira, comenta o aumento exponencial e os protocolos seguidos pelo município.

 

O grande aumento dos casos em investigação nos últimos dias, de acordo com a secretária, é justificado pela ampliação dos critérios que definem os casos suspeitos. “Antes, eram consideradas com suspeita da doença as pessoas que, além de apresentar sintomas gripais, tinham histórico de viagem ou contato com pessoas que viajaram. Agora, só por apresentarem os sintomas já passam a ser investigadas”. Andiara diz que a medida é importante para que nenhum caso da doença passe despercebido.

 

Os 106 campinenses com suspeita da doença, entre aqueles que continuam sendo investigados e os que já foram descartados, são casos considerados leves. “Nenhum deles apresentou sintomas graves, nem precisou de internamento, apenas o isolamento domiciliar”, informa a secretária.

 

“Nenhum deles apresentou sintomas graves, nem precisou de internamento

 

Os pacientes suspeitos estão em casa e são monitorados diariamente por telefone. “Temos uma equipe preparada para atendê-los pessoalmente, mas isso não foi preciso até agora, já que todos tem apresentado melhora no quadro”.  A Central de Monitoramento do município fica na Vigilância em Saúde, especificamente na Vigilância Epidemiológica.

 

Os pacientes investigados não têm um perfil específico. São adultos, jovens e idosos, a maioria mulheres, e moradores de bairros mais populosos.

 

TESTES

 

Andiara esclarece por que nem todos os pacientes investigados passam por teste laboratorial. “O nosso município tem recebido 30 kits do exame por semana. Então, nós temos que fazer uma seleção, de acordo com critérios clínicos, para decidir quais pacientes devem fazer a coleta”. Os lotes são enviados pelo Laboratório Central do Estado do Paraná (Lacen).

 

A secretária lembra que, independentemente de ter feito ou não a coleta para o laboratório, todos os pacientes são encaminhados para afastamento por 14 dias mediante prescrição médica. “Ou seja, na prática, todos recebem o mesmo procedimento”.

 

A expectativa é que isso melhore nos próximos dias. “Com a chegada dos testes rápidos que o Ministério da Saúde deve enviar na semana que vem, será possível testar um percentual maior de casos suspeitos”. A previsão é que 10 milhões de testes rápidos sejam distribuídos em todo o território nacional.

 

FIQUE EM CASA

 

A secretária pede que cada um faça sua parte no combate ao novo coronavírus. “Estamos trabalhando fortemente no enfrentamento à pandemia em nosso município, mas pedimos que a população mantenha bons hábitos de higiene individual. É importante lavar as mãos com frequência e, quando isso não for possível, passar álcool nas mãos”. Ela também reforça que os munícipes evitem aglomerações e que permaneçam em casa.”Não podemos negar que o isolamento domiciliar diminui sim a velocidade de transmissão do vírus e, desta forma, evita que o sistema de saúde fique sobrecarregado. Um dos grandes receios atualmente é que o sistema entre em colapso”.

 

“Não podemos negar que o isolamento domiciliar diminui sim a velocidade de transmissão do vírus”.

 

Andiara explica como que ficar em casa evita a transmissão do vírus. “Qualquer um pode ser transmissor da doença, mesmo sem sintomas. Sabemos disso baseados na ciência e nas evidências epidemiológicas. Então, independentemente da idade e do perfil da pessoa que circula pela cidade, ela vai voltar para casa e levar o vírus para idosos e outros familiares do grupo de risco”.

 

“Entendemos o momento sério de crise econômica. Torcemos para que outras medidas sejam adotadas pelo governo federal para evitar uma recessão, mas é importante que, pelo menos nos próximos 15 dias, as pessoas continuem em casa. Desta forma, vamos passar pelo período crítico com menos transmissões e sem inchar o nosso sistema de saúde”, completa a secretária.