Casal de Campina Grande do Sul conta como enfrenta a quarentena nos EUA

Carlos Eduardo Pereira, mais conhecido como 'Kadu', e Vanessa Araújo deixaram Campina Grande do Sul há seis meses para morar nos Estados Unidos, país que se tornou o novo epicentro mundial da Covid-19. A redação do Jornal União entrou em contato com o casal para conversar como está o enfrentamento à pandemia lá fora.

 

A vida dos dois começou a mudar há cerca de 15 dias, quando as autoridades fizeram as primeiras movimentações em cadeias de rádio e TV para o isolamento social. Como no Brasil, nas duas últimas semanas, o número de casos cresceu muito e as medidas têm ficado mais firmes, com o fechamento de praias e o cancelamento de atividades que gerariam a aglomeração de pessoas. “A última vez em que saímos foi no dia 13 de março. Desde então, só temos saído para ir ao mercado e trabalhar”, conta Vanessa.

 

O casal mora em  Pompano Beach, que fica no sul da Flórida, a 60 quilômetros de Miami. Eles contam que logo após o pronunciamento de Donald Trump sobre a reativação da economia, há uma semana, o movimento nas ruas aumentou um pouco, mas continuou bem discreto. “O trânsito, sempre caótico, está calmo. Não se vê as pessoas nas ruas, parques e praias”, diz Kadu. Assim como o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, Trump fez pronunciamentos polêmicos minimizando a pandemia do novo coronavírus. A diferença é que o presidente americano voltou atrás alguns dias depois e reconheceu a gravidade da situação.

 

Kadu e Vanessa têm acompanhado os noticiários sobre o enfrentamento à pandemia no Brasil e dizem que há muito em comum entre os dois países. “Parece que a maioria das pessoas está comprometida com a não transmissão do vírus, mas algumas insistem em não acreditar na gravidade. Os governantes tomaram atitudes muito parecidas com as autoridades daqui. Governadores e prefeitos mais preocupados com a saúde da população, presidente preocupado com a economia. O fato é que aqui os casos surgiram um pouco antes e os números não são nada bons. No Brasil, o isolamento aconteceu mais cedo. Deus abençoe que não tenhamos números expressivos e tristes quanto os daqui”. 

 

“Aqui não há SUS. Se precisarmos ir a um hospital ou pedir uma ambulância, isso nos custará muitos dólares (mas muitos mesmo!)”.

 

A possibilidade de precisar de um atendimento na área da saúde nos Estados Unidos preocupa o casal, pois esses serviços são complexos e caros. “Aqui não há SUS. Se precisarmos ir a um hospital ou pedir uma ambulância em uma emergência, isso custará muitos dólares (mas muitos mesmo!). Com a chegada do vírus aumentou o medo de necessitar de assistência médica”, desabafa Kadu. “É bem verdade que a disponibilização dos testes rápidos para detecção do vírus foi aumentada e popularizada nos últimos dias, mas depender de atendimento médico não é uma boa opção aqui”, complementa Vanessa.

 

Diante do cenário atípico vivido nesse período de quarentana, a saudade que Kadu e Vanessa sentem da família é ainda maior. “Não acho que no Brasil estaríamos mais ou menos protegidos, pois as medidas tomadas são muito parecidas. O que mudaria seria na relação afetiva, poderíamos ver nossos familiares de perto, mesmo sem poder dar aquele abraço carinhoso”. Eles têm usado tecnologias como WhatsApp e Instagram para manter o contato e se sentir mais perto dos amigos e parentes. 

 

Os Estados Unidos ultrapassaram a China, berço da Covid-19, em número de pessoas contaminadas pelo novo coronavírus e alcançaram nesta terça-feira, dia 31, a marca de 164 mil casos da doença e mais de 3 mil mortes. O país chinês estabilizou o número de infectados na casa dos 82 mil. No Brasil, são  4.695 infectados e 168 mortos.

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