Multitarefas: mulheres reais contam suas histórias de superação diária

Neste Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, a redação do União conta a história de mulheres reais, que, como tantas outras, lutam todos os dias por si mesmas, por suas carreiras e por suas famílias.

Funcionária em período integral, esposa e mãe de nove

É o caso da professora Silvelena Rocha Ferreira, de 45 anos, que atualmente é diretora do Colégio Estadual Timbú Velho, em Campina Grande do Sul. Ela é mãe de nove filhos, a mais nova com oito anos e o mais velho com 22. “Com todas as tarefas que tenho que desempenhar ao longo do dia, minha rotina começa às 6h e não tem hora para acabar”. Sete dos filhos são adotados. “Dois deles estão na faculdade e os outros ainda cursam o ensino fundamental. Todos eles têm sua função, os mais velhos ajudam a cuidar dos mais novos e, além disso, tenho a ajuda da minha irmã, que coopera no cuidado com as crianças. Mas, mesmo assim, tem dias que dá vontade de fugir, porque a bagunça é grande”. Silvelena adotou as sete meninas, irmãs, há dois anos. “Deus me deu a missão de cuidar dos meus filhos, esse é o meu objetivo agora”.

Ela lembra que, ao decorrer da sua vida, nada foi fácil. “Me formei professora aos 18 anos, mas não atuei de imediato. Me casei aos 23 anos e só fui concluir minha primeira faculdade depois dos 30. Naquela época, eu já tinha os dois meninos e foi muito difícil, por várias vezes pensava em desistir porque não conseguia pagar as mensalidades, deixava meus filhos sozinhos, esperando meu esposo chegar do trabalho para ficar com eles. Sofri muito nesse período. Na faculdade não podia tirar um xerox, porque não tinha como pagar; comprar livros, nem pensar. Sou grata a muitas amigas que me auxiliaram nesta época, com a ajuda delas consegui concluir a faculdade de Pedagogia. Eu sempre acreditei nos meus sonhos e corri atrás para realizá-los. As dificuldades aparecem e não é fácil, mas com fé seguimos em frente e superamos todos os obstáculos, pois somos mulheres guerreiras”. Hoje, Silvelena trabalha em período integral. “Minha equipe é maravilhosa e me ajuda muito”.

“Enquanto mulher, me sinto realizada e jamais pensei chegar tão longe e com tantas responsabilidades, saber que muitas pessoas precisam de mim me ajuda a fortalecer meus ideais. Nada na minha vida foi fácil mas eu agradeço todos os dias por não ter sido, pois assim me tornei uma mulher forte”, conclui.

Professora, esposa, mãe e doutoranda

Denize Kaminski Ferreira, de 33 anos, é estudante, mãe, esposa e professora. Ela encarou o desafio de um doutorado de quatro anos, em uma universidade pública, com um filho pequeno. “Atualmente estou no último ano do doutorado, em licença não remunerada da rede municipal e mantendo a docência no ensino superior. Produzindo minha tese de doutorado, estou estudando bastante, cerca de seis a oito horas diárias dedicadas à pesquisa que estou realizando. Apesar de ser difícil, com organização, planejamento e, especialmente, com uma rede de apoio, é possível casar, ter filhos, manter carreira e conciliar com os estudos. Nós mulheres quando queremos fazer algo, somos capazes de façanhas incríveis”.

Para ela, a rotina de estudos e de trabalho é um desafio. “Desde 2007, quando comecei a dar aula, não parei mais, ainda que eu tenha reduzido a minha carga horária. Com o filho, estudar exigiu muito mais organização da minha parte. Muitas vezes meus planos de estudar o dia todo ou boa parte do dia não dão certo, porque, às vezes, aparece um imprevisto, como uma crise respiratória, uma febre, uma dorzinha, uma reação à vacina, o que faz com que cronograma tenha que ser revisto, mas os prazos continuam batendo na porta”. Ela acredita que ter uma rede de apoio é fundamental para qualquer mãe. “Meu esposo é um paizão, compartilha as responsabilidades da criação do nosso pequeno Tavinho. Minha mãe também é uma superavó, muito parceira, sempre pronta para me apoiar quando eu preciso”.

Denize lembra que além do filho e da vida profissional, ela arruma tempo para o esposo, os animaizinhos de estimação e procura cuidar da saúde. “E eu ainda faço parte de um diretório político no município. Enfim, faço muitas coisas ao mesmo tempo ao longo do dia e da noite também”, brinca.

Ela destaca que ser mulher numa sociedade machista como a nossa é um desafio e tanto. “É como se fôssemos obrigadas a dar conta de tudo o tempo todo, como senão pudéssemos sentir cansaço ou estafa. É visto como natural a mulher ter dupla ou tripla jornada, isto é, trabalhar fora, cuidar da casa e, por vezes, estudar. Muitas, inclusive, não contam com apoio de seus familiares, sobretudo, nos afazeres domésticos. Isto não pode ser assim, o correto seria toda a família ajudar na organização do lar. Penso que não se trata de ‘ajudar’ a mulher, porque continua sendo uma tarefa só dela, continua sendo unilateral; o ideal seria o compartilhamento de responsabilidades, seja na criação dos filhos, na limpeza da casa ou na preparação das refeições. Compartilhar é entender que a tarefa é de todos os que moram naquele lar, não exclusivamente da mulher”.

Advogada, mãe de dois, esposa e dona de casa

A advogada Lizandra Fernandes, de 28 anos, descobriu a segunda gravidez há dois anos, logo que chegou a Campina Grande do Sul, local onde não conhecia ninguém. “Eu saí do Mato Grosso por causa do meu marido, que era daqui. Eu já tinha um filho, hoje com quatro anos, e o segundo veio de surpresa. Não tinha parentes por perto, tinha que trabalhar. Minha profissão é muito voltada à indicação e eu era uma desconhecida grávida do segundo filho”.

Hoje, ela tem o escritório no Jardim Paulista e divide sua rotina entre os clientes, os filhos, o marido e o cuidado com a casa. “Eu acordo sempre muito cedo, preparo o café da manhã, arrumo as mochilas das crianças, acordo os pequenos e arrumo os dois para irem à escola. Deixo-os na escolinha, abro meu escritório, faço atendimentos, audiências e cumprimento de prazos, até dar o horário de buscar meus filhos. Nos dias em que o primogênito tem atividades extracurriculares, o acompanho até a finalização e conseguimos voltar para casa às 19h. Preparo a janta, dou banho, coloco pijama e nesses intervalos ainda aproveito para começar minha terceira jornada em casa: lavando roupas e limpando. Mas, nunca deixo as crianças dormirem sem o nosso tempo ‘mãe e filhos’, quando aproveitamos para brincar, conversar, jogar vídeo game ou dançar alguma coreografia. Depois das brincadeiras, faço as crianças dormirem para finalizar o que tiver pendente do escritório para, então, finalmente conseguir assistir alguma coisa na TV ou ler um bom livro antes da rotina se reiniciar no outro dia”. Durante toda essa rotina, Lizandra não recebe a ajuda de ninguém. “Na maioria dos dias quando o meu marido chega em casa as crianças já estão dormindo”.

Ela enfrentou um divórcio e a morte de uma das cinco filhas

Tuca, como é carinhosamente conhecida em Campina, Cremilda da Sena Silva, de 44 anos, funcionária licenciada da Saúde do município, tem uma história de superação. Ela foi criada em orfanatos e morou até na rua, com sua irmã. Além disso, enfrentou um divórcio, a morte de uma de suas filhas e hoje cuida da mais nova, que desenvolveu epilepsia depois da morte da irmã. “Todos os dias eu passo por uma batalha diferente. No momento, cuido da minha filha mais nova, Isabela, que desencadeou epilepsia depois da morte da irmã, uma das minhas filhas gêmeas, as mais velhas, e atrofia cerebral, o que deixou os seus movimentos bem prejudicados. Todas as quartas-feiras preciso leva-la ao psicólogo e à fisioterapia. À tarde eu geralmente limpo a casa e ajudo ela com as tarefas da escola, que ficaram difíceis, visto que o aprendizado dela também ficou prejudicado. Para isso, tenho a ajuda da minha filha Anna Clara, de 15 anos”.

Ela conta que sua vida se resumiu a ser mãe.  “Eu criei três filhas sozinhas de um péssimo relacionamento, depois de dois anos encontrei um homem descente que me ajudou com as meninas e criamos cinco filhas, com muito amor e carinho. Vivo para elas”.  

Trabalho, filho e o empreendimento 

Caroline Fernandes Giacomitti é outro exemplo de mulher multitarefas, que trabalha fora, cuida do filho, da casa, e ainda arruma tempo para o empreendimento dela e do esposo, o Pesque Pague Giacomitti. “Eu moro em Campina Grande do Sul, todas as manhãs levo o meu filho para a casa da minha mãe, em Quatro Barras, e vou trabalhar, no Sesi. Ao meio-dia volto para a casa da minha mãe, pego o meu filho, deixo-o na escola e retorno para o trabalho. No final da tarde busco-o na escola e aí começa outra correria: supermercado, casa e janta. Além disso, ajudo o meu marido no pesque pague. Todos os finais de semana trabalho lá”.

OLHO: “O maior desafio nessa vida corrida é conseguir o tempo para se dedicar à família”.

Ela diz que o maior desafio nessa vida corrida é conseguir o tempo para se dedicar à família. “Meu filho é pequeno, ainda está descobrindo muitas coisas e não consigo acompanhar ele em tudo, mas graças a Deus tenho minha mãe e meu pai, que me ajudam e muito”.

 

 

 

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