Em família: quando o dom de ensinar passa por gerações

Para homenagear os professores no seu dia, comemorado na última terça-feira, dia 15, o Jornal União conta a história de famílias que viram o dom de ensinar passar de geração para geração. É o caso da professora Marcia Milsted Igreja, que exerce a profissão há 13 anos e hoje vê as duas filhas seguindo os mesmos passos, e da aposentada Orlanda Marschener, de 82 anos, que tem a filha e a neta na mesma profissão.

“Eu nunca obriguei elas a nada, mas sempre incentivei; elas sempre estavam comigo na escola, nas festas ou me viam trabalhando em casa”, conta Marcia, que sempre quis ser professora. “Eu tentava alfabetizar a minha avó e achava o máximo. Fui mãe cedo, voltei a estudar apenas depois que as duas nasceram, fiz o Magistério e depois a faculdade. Comecei como estagiária e passei no concurso da prefeitura”.

Há seis anos, Marcia dá aula na Escola Lucídio Florêncio Ribeiro, ao lado da filha mais nova, que é estagiária. “Desde que me tornei professora, o meu sonho era trabalhar aqui, onde minhas filhas estudaram. Hoje, realizo esse sonho e tenho a grata satisfação de ser colega de trabalho da minha filha mais nova, Ticiane, que é estagiária”.

“Quando eu consegui esse estágio na mesma escola que estudei e ao lado da minha mãe, foi o máximo”, afirma Ticiane, de 20 anos, que é estudante de Pedagogia da Unibrasil. Para ela, a influência da mãe foi essencial na escolha da carreira. “Na infância eu via a minha mãe atuando na escola e se preparando em casa. Na adolescência, passei a ver a minha irmã, que também é professora, então as duas foram um espelho para mim. Hoje eu vejo que fiz a escolha certa e não escolheria outra profissão”.

Jaqueline, de 26 anos, filha mais velha de Marcia, se formou em Letras e, atualmente, ministra aula na rede particular de ensino. De acordo com ela, o gosto pela profissão surgiu ainda quando era estudante. “Eu sempre fui muito atuante na escola e admirava meus professores. Além disso, eu sempre vi a minha mãe trabalhar e estudar muito em casa. Ela sempre nos incentivou e cobrou muito isso de nós”. Jaqueline trabalha na área da Educação desde 2012.

Orlanda, que se tornou professora em 1955 e atuou nos estados de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, teve sete filhos e viu quatro se tornarem professoras. “Isso é a realização de uma vida. Além de quatro filhas serem professoras, tenho uma neta que também leciona e uma bisneta que já mencionou o desejo de ser professora no futuro. Quem sabe a quarta geração não vem aí? O professor é a base de todas as profissões e esse reconhecimento não existe pela maioria da população. Mas, é em alguns raros momentos em sala de aula, principalmente nas séries iniciais que o reconhecimento vem, através de um ‘obrigada por ter me ensinado’ ou pelo sorriso da criança quando conseguiu realizar uma tarefa”.

“Ser criada dentro de um ambiente de educação foi algo primordial para me tornar professora”, afirma Beatriz, filha de Orlanda, que se formou no Magistério, em 1976, na cidade de Cascavel e foi professora pelo quadro federal, lecionou em Ji-Paraná, em Rondônia, trabalhou pelo município de Quatro Barras por três anos como professora estatutária e professora de inglês e esta há 14 anos no colégio Dom Orione, além de ter sido locutora, chefe de gabinete e assessora.

Para a neta, Katiuscia, que se formou em 2006, em Rondônia, onde lecionou por seis anos, e começou a dar aula em Quatro Barras em 2011, é um orgulho seguir os passos da avó e da mãe. “Ela é uma pessoa com uma força de vontade e uma sabedoria incrível. Quando criança, eu brincava com alguns materiais que a mãe trazia para correção e, hoje, olhar para trás e ver que conseguiu seguir os passos da minha mãe e da vó é algo gratificante”.

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