Um exemplo de garra e persistência

Herdeira de um dom de família, Elza Emídio, de 58 anos, é uma das primeiras cabeleireiras da sede de Campina Grande do Sul. Filha de um barbeiro, José Emídio (in memoriam) e de uma costureira, Ana Lina, ela nasceu em São Jorge do Ivaí-PR, mas logo na infância mudou-se para a capital, Curitiba, e há 40 anos mora em Campina.

“Eu cheguei com meu ex-marido aqui por intermédio de uma cunhada. Me lembro que quando olhei para a cidade, achei muito feia. No início eu não gostava daqui. Aqui na sede passava ônibus apenas três vezes no dia. Era um sofrimento para os moradores”.

Ela é uma das primeiras cabeleireiras da sede de Campina Grande do Sul.

Na época, Elza trabalhava com costura, em casa, e já fazia alguns ‘cabelos’. “Na minha família a maioria das pessoas trabalha na área da beleza. Eu comecei em casa, montei o meu primeiro salão em casa; depois fui sócia em um salão, até que, há quase 20 anos, tenho meu salão no mesmo lugar: na rua Valdomiro de Souza Hathy”.

Ela lembra que o início não foi fácil. “O meu primeiro salão foi de madeira, depois que eu fui construindo em volta de material. Eu sempre batalhei muito. Tudo que eu consegui foi com o meu esforço”.

Para Elza, um dos momentos mais difíceis de sua vida foi quando, no dia do seu casamento com o atual marido, João Roque, em 5 de dezembro de 2013, colocaram fogo no seu salão. “Alguém colocou fogo no meu salão na hora da minha festa de casamento. Eu perdi tudo. Na época, o salão tinha acabado de passar por uma reforma. Mas, recebi muita força de Deus e dos amigos, que me apoiaram muito, e consegui reconstruir”.

Elza lembra que o seu salão já foi palco de muitos dias de noiva e um ponto de referência onde as candidatas a rainha da Festa do Caqui se reuniam. “Todas essas lembranças, que ficavam estampadas na parede, foram embora com o fogo. Eu não sei o porquê alguém fez isso, eu sempre procurei ter amizade com todos”.

Depois de tantos anos e tantas histórias vividas aqui, Campina para ela se tornou a sua cidade. “Eu até fui embora daqui, mas fiquei apenas uns meses fora e voltei. Hoje, não me vejo mais longe daqui; meus filhos foram criados aqui e minha vida está toda aqui. Além disso, Campina se tornou uma cidade muito boa para viver. Com o passar dos anos tudo foi se ajeitando e hoje temos tudo aqui. Por isso, é nesse lugar que pretendo ficar até o fim da minha vida”.

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